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Caixa não responde sobre Saúde Caixa, Super Caixa e sobrecarga na rede; empregados relatam cenário de adoecimento



Mais uma rodada de reuniões entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa e a direção do banco terminou, nesta terça-feira (26), sem respostas efetivas para temas que impactam diretamente a vida dos trabalhadores.

Saúde Caixa, remuneração variável, transformação digital, atendimento remoto e condições de trabalho dominaram os debates, mas o banco voltou a se limitar a promessas de estudos, avaliações e imersões técnicas, sem apresentar medidas concretas.


Segundo a representação dos empregados, o sentimento que marcou o encontro foi o de um verdadeiro pedido de socorro da rede de atendimento. Trabalhadores relatam aumento da pressão, sobrecarga operacional, perdas financeiras e crescimento dos casos de adoecimento, ao mesmo tempo em que precisam atender simultaneamente clientes pelos canais presencial e digital.


“O que ouvimos dos colegas de todo o país é um grito de alerta. A rede está sobrecarregada e adoecida. Levamos esse cenário para a mesa e cobramos respostas concretas, mas a Caixa segue adiando decisões sobre questões que afetam diretamente a saúde, a renda e o futuro dos empregados”, afirmou o coordenador da CEE/Caixa, Felipe Pacheco.




Saúde Caixa volta ao centro das preocupações


A principal cobrança da representação dos trabalhadores foi a retomada das negociações sobre o Saúde Caixa, tema que deve ocupar posição central nas negociações com o banco durante a Campanha Nacional dos Bancários de 2026. As entidades reforçaram a defesa do plano de saúde e a necessidade de derrubada do teto de custeio imposto pela própria Caixa em seu estatuto, mecanismo que aumenta a participação financeira dos empregados e gera insegurança sobre a sustentabilidade do plano.


Outro tema que voltou à pauta foi a exclusão dos empregados admitidos após 2018 do direito ao Saúde Caixa após a aposentadoria. A reivindicação sindical é pela correção dessa desigualdade, que afeta cerca de 15 mil trabalhadores contratados a partir de setembro de 2018.


“A Caixa fala em estudos e análises há anos, mas os empregados precisam de solução. Não é aceitável manter milhares de trabalhadores sem perspectiva de acesso ao plano na aposentadoria”, destacou a representante da Fetec-CUT/PR, Samanta Almeida, que faz parte do grupo de empregados que tiveram o direito excluído.


Para Cândida Fernandes, a Chay, representante da Fetrafi-NE, a demora do banco aprofunda a insegurança dos trabalhadores. “O banco precisa transformar discursos em compromissos. Os empregados querem saber quando haverá solução para os problemas do Saúde Caixa e não apenas ouvir que novos estudos estão sendo realizados.”


Super Caixa segue acumulando críticas

O programa Super Caixa também foi alvo de fortes críticas. Os representantes dos trabalhadores relataram reclamações vindas de diversas regiões do país sobre regras consideradas obscuras, alterações frequentes nos critérios de avaliação e penalizações decorrentes de fatores que fogem ao controle dos empregados.


As entidades cobraram transparência, apresentação de simulações comparativas entre os modelos de remuneração variável e abertura de negociação efetiva sobre o programa.


“O trabalhador precisa saber exatamente o que está sendo medido, como está sendo avaliado e por que está recebendo determinado valor. Transparência é o mínimo esperado”, afirmou Tesifon Quevedo Neto, representante da Feeb-SP/MS.


Durante os debates sobre o novo modelo de atendimento, a representante da Fetec-CUT/SP, Luiza Hansen, apresentou uma proposta para que o atendimento realizado pelos canais digitais gere bonificação no Super Caixa, em vez de servir como elemento de penalização para os empregados.


“Se o banco quer incentivar a utilização dos canais digitais, isso deve ocorrer por meio de reconhecimento e valorização, e não por punições que aumentam ainda mais a pressão sobre quem está na ponta”, defendeu Luiza.


Transformação digital preocupa trabalhadores

A ampliação dos projetos de atendimento remoto e da integração digital também gerou preocupação entre os representantes dos empregados. Embora a Caixa apresente o processo como modernização, as entidades alertaram para os riscos de precarização das condições de trabalho, aumento da pressão por resultados e crescimento dos casos de adoecimento.


Gerentes e demais empregados relatam dificuldades para conciliar o atendimento presencial com as demandas digitais, em um ambiente marcado por metas elevadas, insegurança operacional e falta de clareza sobre indicadores de desempenho.


“Não podemos aceitar que a inovação tecnológica seja implementada às custas da saúde dos trabalhadores. Modernizar não pode significar sobrecarregar”, afirmou Antonio Abdan, representante da Fetec-CUT/CN.


As entidades também cobraram informações sobre os impactos do modelo na saúde mental dos empregados e pediram acesso aos dados de afastamentos relacionados ao trabalho.


“Os relatos que chegam das unidades mostram que a pressão está aumentando. É fundamental que a Caixa apresente dados e reconheça a dimensão do problema”, disse Edson Heemann, representante da Fetrafi-SC.


Projeto Gênesis e cobrança por transparência

Outro tema debatido foi o Projeto Gênesis. Durante a reunião, a Caixa assumiu o compromisso de não promover ranqueamentos das unidades participantes do projeto, uma reivindicação apresentada pela representação dos trabalhadores diante do receio de que novos mecanismos de avaliação aumentem a competição interna e a pressão sobre as equipes.


Além disso, as entidades cobraram transparência sobre os critérios utilizados para definir as ondas de migração, participação efetiva dos trabalhadores nos projetos-piloto e escuta das equipes diretamente impactadas pelas mudanças.


“Quem vive a realidade das agências precisa ser ouvido antes da implementação de qualquer transformação. Não é possível construir soluções ignorando quem está na linha de frente”, afirmou Rogério Campanate, representante da Federa-RJ.


Para Erico Jesus, representante da Feeb-BA/SE, o processo exige diálogo permanente. “A Caixa precisa compreender que os trabalhadores não são obstáculos à modernização. Pelo contrário: são eles que conhecem os problemas e podem contribuir para construir soluções mais eficientes.”


Sem respostas para questões centrais

Ao final da reunião, permaneceram sem resposta perguntas consideradas fundamentais pela representação dos empregados:


• Quando haverá revisão efetiva do Super Caixa;

• Qual será a solução para os empregados pós-2018;

• Como o banco pretende enfrentar o problema do teto do Saúde Caixa; e

• Quais medidas serão adotadas para evitar que o atendimento remoto amplie ainda mais a sobrecarga e o adoecimento dos trabalhadores.


“A Caixa continua acumulando estudos enquanto os empregados acumulam pressão, perdas financeiras e adoecimento. Fica cada vez mais evidente que somente a mobilização da categoria será capaz de arrancar respostas concretas e garantir a defesa dos direitos dos trabalhadores”, concluiu Felipe Pacheco.

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